"A vida é mocinho e vilão…"


Estou (ainda agora) pensando como começar esta postagem. Não por uma dúvida crucial, ou por ausência de idéias. Justamente pela abundância delas, mas entrelaçadas sob um eixo comum que brotou(-se) nestes dois últimos dias: a vida. Não como ela é bela ou triste, cansativa ou deslumbrante – nada de maniqueísmos ou valorações extremas. Mas sim como ela é singular a nós humanos.
Certo dia meu professor de Sociologia perguntava o que nos diferencia das outras espécies. Houve muitos comentários, sobre os mais diversos aspectos possíveis. Disse ele então que era sabermos de nossa morte. Não aquele saber que antecede o fim biológico de todos nós, mas aquele consciencioso saber, desde-breve-sempre, de que estamos vivendo os dias para nos aproximarmos da morte. Mas e aí? Bom, esse parece ser o grande incômodo do ser humano: saber, sentir, entender, ser cônscio e pragmático sobre a vida e seu término. Sabemos que estamos aqui para depois (quando?) não estarmos mais. E por sermos uma vastidão de pensamentos-sensações é que reagimos de modos tão diversos à morte. Ela pode ser lenta, sofrida, aliviação àquele que padece; pode ser imprevisível e inaceitável. Mas se impõe, mesmo que brutal a nossos sentimentos.
Nesta quinta-feira, dia vinte e quatro, uma amiga perdeu o pai. E eu, como escrevo agora, fiquei indagando-me sobre como lidamos com isso. Quem perde, quem sofre junto, quem consola, quem sabe que consolo algum surte efeito. Se a dor existe, soberana por si, ela (assim como o falecer) impõe-se: então é para ser sofrida. Ela precisa ser sentida, precisa sair e mesmo machucar, pois só desta exasperação podem (talvez) brotar novos sentimentos. Podem tomar seus lugares novamente o querer viver e o ser feliz. É a singularidade da vida dentro da humanidade que a faz tão sofrida quando encontra seu fim (justo, injusto, errôneo, precipitado…).
Antes que me torne (mais) verborrágico, findo dizendo o que posso, ou me permito dizer, a esta minha amiga: deixe esta mesma soberana, que decide o crepúsculo e o poente da vida, guiar este promíscuo momento. É de tristeza, de angústia, de choro, de indignação. De ausência de norte, de ajuda mútua, de erguer-se, de fraquejar e de reerguer-se. É de tudo isto. E àqueles que consolam (estou eu a fazer o que aqui?) cabe o persistente consolar. Não adianta: não. Mas vai-se tentando, até que outro soberano – o tempo – atua, paulatino, e engana a ambos: quem sofre e quem consola. E assim devem ser os amigos: persistentes e figurantes, enquanto vida e tempo atuam, protagonistas do começo ao fim. Do começo… E do fim!
Pode contar comigo.
Seja mesmo para não dizer nada e
dar o tempo que ele mesmo pede para os sentimentos.

Beijos, Alana.
Anúncios

Sobre Luiz Henrique

Ativista, professor e pesquisador. Interessado em direitos humanos, política, mídia e movimento LGBT. Tenho mestrado em Comunicação e Cultura pela UFRJ.

Publicado em 26 de maio de 2007, em Sem categoria. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Nossa… amei, amei, AMEI este espaço aqui!!!Bjos, Lê

  2. Cristiano Magrini

    É… tu tinha ficado de me passar o endereço do Blog. Nunca mais!¬¬Bem, depois do teu comentário vim parar aqui.Gostei da postagem.Como dizem as ‘tias’: “Continue assim!”heheõ/

  3. Adriano Mascarenhas

    Lembro-me agora das palavras que você me dirigiu dias atrás…Faço minhas as palavras da Elenita, rsrsrs.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: