Comerciais que você não viu


Hoje uma postagem breve sobre publicidade GLBT. Por ora, deixemos Claudia Leitte e outras celebridades de tal grandeza para depois. Enquanto isso, a enquete vai rolando. Além dos resultados que esta indicará, vou somar a eles as opiniões que colherei pessoalmente de outras pessoas. Após tudo isso, vou opinar, especificamente, sobre a idéia de querer (ou não) ter um filho gay e outros aspectos mais.
E para esclarecer: a postagem sobre o Irã foi cancelada temporariamente. Como (pretenso) bom jornalista, encontrei muita controvérsia no caso que iria relatar e seria um risco grande que o alicerce da postagem fosse falso ou semi-verdadeiro. Sendo assim, deixarei para o futuro, caso eu consigo desvendar a verdade sobre o caso, ou então deixo de postar em definitivo.

Assim sendo, a postagem de hoje será sobre um tema que gosto muito e que, tenho certeza, faz falta ser exposto, principalmente, aqui no Brasil. O avanço da publicidade estrangeira focada na comunidade GLBT (leia-se “gay” como um todo) ou em temas como homofobia, casamento homoafetivo e adoção por casais gays é muito grande. Ainda mais se compararmos com a ínfima (alguém disse inexistente? tendo a concordar!) abordagem brasileira desse tema. Aqui temos que decidir entre a propaganda ruim da cerveja x e a propaganda péssima da cerveja y – e que me perdoem os publicitários que delas gostam, mas as acho muito ruins, muito fracas, muito apelativas (mulheres! feministas! alguém?), muito imbecilizantes e, enfim, muito repetitivas.

Reprodução

Pequena ressalva: estou utilizando a palavra publicidade de forma leiga, sem quaisquer cuidados técnico-etimológicos. No caso específico de hoje, sobre vídeos, comerciais e campanhas em vídeo. Feita a observação, retomo a fala sobre a realidade brasileira: o último comercial que me lembro ter abordado algo sobre gays foi o do Ministério da Saúde (iniciativa estatal; aliás, saiu do ar voando, alguém lembra?). Abordava a questão da prevenção através do uso da camisinha. Antecessor a esse, e também do Ministério da Saúde, foi outro que abordava um namoro gay que terminou – e a família estava apoiando o pobre rapaz desolado. Felizmente, uma abordagem simples e bonita do que se esperaria de uma família – a realidade, em muitos casos, é bem distinta (mas isso é outro assunto, outro post!).

Feito o prelúdio (longuinho, admito!), voltemos ao exterior e a seus comerciais publicitários. Farei assim: partirei dos vídeos que menos gosto para os que mais gosto. Evidentemente que, na postagem de hoje, colocarei alguns. Uma segunda e/ou terceira edição desse tema poderá ser feita futuramente.

Esse comercial é da Dolce anda Gabbana e foi produzido em 2006. Tem um beijo gay tímido no final e a estética, como um todo, é bem light e agradável. Não é dos meus favoritos, então eu diria que é razoável.

Esse outro os guris do negaBOB postaram outro dia. Não sei informar qual a origem dele (por quem foi produzido), mas é consideravelmente engraçado se levarmos em conta, principalmente, a reação dos pais (ou a ausência de reação), que, praticamente, entram na dança do rapaz ao movimentarem suas cabeças.

Já esse outro eu considero muito engraçado. A idéia e a estética são excelentes e muito bem desenvolvidas, sem que o comercial seja panfletário ou de caráter militante. Foi produzido para a propaganda da marca de carros Hyundai na França. Além de bom, ele guarda o elemento de surpresa até o final.

Esse é básico, mas eficiente do ponto de vista argumentativo: transmite uma mensagem muito interessante acerca do preconceito e da expectativa. Ao vermos as duas senhoras olhando atentamente para o casal que se aproxima, já imaginamos o “óbvio”. O texto, em bom português (mas de Portugal!), explica o necessário. O vídeo foi produzido para a ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero) de Portugal no começo de 2005.

E para finalizar, um vídeo mais longo e diferente. Ele traz uma trajetória muito bacana, de forma bem humorada e light. Além disso, é uma animação. E, por favor, não digam que é muito gay, porque ele, definitivamente, o é. Por isso que eu o adoro. Sem mencionar que ele está inserido numa campanha de combate à AIDS, apenas a história em si já é muito bonita. Vale umas risadas também.

Ao final, a mensagem que aparece em inglês é: Viva bastante o suficiente para encontrar o cara certo. AIDS. Proteja-se.

Bom, e para finalizar de fato, trago a versão para o público hétero (até para não dizerem que sou preconceituoso, haha!). Sou suspeitíssimo para opinar, mas acho a versão gay mais interessante. De todo modo, também valem algumas risadas a trajetória da garota até o homem ideal. Por favor, não deixem de reparar nos pênis voadores, são uma sacada genial da animação (ah, o texto final está em francês nesta versão, e eu não sou tão bom assim com o francês para traduzi-lo a terceiros).

Ufa, foram seis vídeos, por hoje chega.
Então até amanhã.
Abraços.

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Sobre Luiz Henrique

Ativista, professor e pesquisador. Interessado em direitos humanos, política, mídia e movimento LGBT. Tenho mestrado em Comunicação e Cultura pela UFRJ.

Publicado em 19 de novembro de 2008, em LGBT, publicidade, vídeos e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Luiz!Escrevo para comentar sobre o vídeo das vovós no banco, porque posso dar uma pequena contribuição. O comercial é muito bom, porque mexe com a tão conservadora sociedade portuguesa. Quando estive lá, passei por situações que me lembraram a do vídeo. Meu namorado tem cabelo comprido. Estávamos num ônibus, e ele me deu um beijo. De repente, ouço atrás duas senhoras (sim, como as do vídeo!) falarem: Senhora A:”Mas são duas raparigas?”Senhora B: “Olha, mas a de cá não tem brinco!”Elas estavam conjecturando se éramos lésbicas bem atrás de nós! heheheheOu seja, seria absurdo se fôssemos duas “raparigas se beijando”.É uma pena que, em geral, a sociedade portuguesa seja tão conservadora. Mas se bem que, pensando, o Brasil não fica tão longe assim, não é?Bjo!

  2. Olá Maíra. Exatamente essa a minha impressão. Quando ouço falar dos países da U.E., sempre há reservas quanto a Portugal nesse sentido (da sociedade conservadora). Acho que o próprio vídeo é, justamente, um jogo com essa sociedade – as duas senhoras que geram identifição por parte da população mais velha agem de forma oposta ao que essa população, a priori, esperaria (com preconceito). O exemplo que você viveu in loco é bem no caso (raparigas é engraçado, rsrs) em que o vídeo tenta atuar (transformação da sociedade).Quanto ao Brasil, não acredito que fiquemos muito atrás não. Aqui, pelo tamanho do país e pela diversidade, temos do 0 ao 80: desde a maior Parada do mundo até jovens espancados porque são gays em cidades remotas do país.Bjão e obrigado pelo comentário.

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