Gay art para todos nós…


Meus caros, não pude postar na quinta-feira infelizmente. Ontem eu estava muito cansado e também falhei. Parte disso se deve à indecisão quanto ao que postar. É que existem várias idéias, mas eu gosto de abordar tantos aspectos em cada uma que isso me exige leitura (e com pressa não é possível!).

Hoje vou focar na arte que tem algum tom político (a boa sempre tem, não?). Especificamente, através dos trabalhos de um artista que gosto muito. Como são muitos nesse mundo imenso, vou colocar os trabalhos de somente um hoje. Noutras oportunidades, postarei sobre outros excelentes pintores, desenhistas, escultores ou fotógrafos que retratam e constróem o homoerotismo.

Representação de São Sebastião, por Pierre Commy e Gilles Blanchard, casal de fotógrafos franceses.

Steve Walker é um pintor canadense que pinta sobre o amor, o ódio, a dor, o toque, a comunicação, a beleza, a solidão, a atração, a esperança, a vida e a morte, nas palavras dele. A despeito disso, suas obras retratam muito do cotidiano (real e simbólico) do homem gay (eminentemente, o norte-americano e europeu). Suas obras são realmente muito belas, bem feitas e com bastante profundidade. Apesar de ser natural de Toronto, Walker desenvolveu seu trabalho nos Estados Unidos, o que jusitica muitos dos elementos presentes em suas pinturas.

A pintura acima se chama The Balcony Scene e foi produzida em 2002. O título pode ser traduzido por “A cena do balcão”, e se percebe uma brincadeira com a famosa cena (e cenário espacial) de Romeu e Julieta (Shakespeare). A obra indica diversas percepções possíveis: um amigo jogando a chave para o outro que chega; o rapaz jogando a chave para o namorado que chega; ou amante; ou marido; ou…

Já essa outra pintura, abaixo, é mais direta, mas conserva o jogo com a ambigüidade, inclusive através do título. A obra chama-se Coming or Going e é de 1997. Pode-se traduzir por “Chegando ou Saindo”. A sutileza dos traços de Steve Walker diferencia uma obra com tom (homo) erótico de uma pornográfica, por exemplo. Essa pintura retrata bem essa possibilidade.
A pintura abaixo é muito rica em sua construção simbólica, mais pelo título em conjunto com a obra do que ela por si só. Ao nomeá-la Oceans between us (1999), Walker brinca com o oceano literal e o simbólico, aquele que bem conhecemos, mas dificilmente mensuramos com medidas “do mundo real”. Quantos oceanos estariam separando o homem da pintura de algo ou alguém? Por quais motivos? São possibilidades reflexivas que a obra nos oferece.
Por fim, a obra abaixo dialoga com duas idéias interessantes: as identidades nacional e “sexual” (aqui, entenda-se o conflito social que circunda a homossexualidade). Walker residiu nos Estados Unidos por muito tempo e não deixou de retratar a tão forte presença da bandeira norte-americana na imagética mundial. A bandeira, símbolo dos valores estadunidenses, também reflete, nessa obra, o conflito que os gays deflagram e vivenciam ao confrontarem uma sociedade fortemente marcada por valores “cristãos” (nesse caso, de oposição à diversidade sexual). Identities (“Identidades“) foi pintada em 1999.
A estética desenvolvida por Steve Walker é muitíssimo bonita e possui uma construção bem específica (da sutileza com traços bem marcantes, compondo um conjunto que, de fato, traduz as intenções do artista). De outros modos, diversos artistas constróem obras que são de estética bastante diferenciada da de Walker, mas também muito belas. Através do grotesco, do marginal, do sexualmente impactante, do fetiche e da sedução, por exemplo. Assim que possível, abordarei outros artistas da denominada (por mim, por outros, por alguns, não por todos!) queer art.

Abaixo, um vídeo muito bom e completo com as obras de Steve Walker. A trilha sonora é casal perfeito das obras: What a Wonderful World (George Weiss/Bob Thiele) , imortalizada por Louis Armstrong, mas aqui cantada por Michael Bublé. Detalhe curioso: o YouTube vai pedir seu login e idade porque o vídeo foi considerado impróprio para menores. Uma pena que o preconceito seja mais relevante do que a sensibilidade para com obras tão “inofensivas”.

Por hoje é isso.
Abraços e até!

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Sobre Luiz Henrique

Ativista, professor e pesquisador. Interessado em direitos humanos, política, mídia e movimento LGBT. Tenho mestrado em Comunicação e Cultura pela UFRJ.

Publicado em 22 de novembro de 2008, em Sem categoria e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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