Dezessete anos sem a voz de Freddie Mercury


Reprodução
Apesar dos dois dias de atraso (agora já é madrugada de quarta, mas eu considero o post como sendo de terça, então é um dia de atraso!), acho importantíssimo destacar aqui a passagem dos 17 anos de falecimento do cantor Freddie Mercury. No dia 24 de novembro deste ano ele estaria completando 62 anos.

Farrokh Bulsara nasceu em 05 de setembro de 1946, na cidade de Stone Town, na ilha de Zanzibar, no leste da África. Aos 17 anos, sua família vai para Londres e lá Freddie começa a estudar numa escola de artes.

Localização de Stone Town (Zanzimar), no leste da costa africana. [clique para ampliar as imagens]

No começo de 1970, ele funda a banda Queen em conjunto com Brian May e Roger Taylor. Banda esta que se tornaria um dos maiores fenômenos do rock mundial (e, com considerável segurança, a maior de todo o Reino Unido). Ah, é também nesse período que ele muda legalmente seu nome para Freddie Mercury.

Freddie foi um grande cantor, compositor, instrumentista e performer. Escreveu canções como Somebody to Love, We are the Champions e Crazy Little Thing Called Love. Como instrumentista, consagraram-se suas músicas baseadas no piano, o qual tocava magistralmente nos shows e concertos ao vivo que a banda fazia ao redor do mundo. Dois bons exemplos são as músicas Bohemian Rhapsody e We Are the Champions. Mais expressiva que essas duas grandes características, era sua presença de palco: Freddie Mercury foi um grande performer em shows. Prendia a atenção de multidões, que iam e vinham com os gestuais expontâneos e irreverentes do cantor britânico.

Reprodução

Mercury manteve um relacionamento longo com uma mulher, Mary Austin. Após o término do relacionamento, eles continuram muito amigos, tanto que o próprio cantor a considerava seu “grande amor”. Tão forte era isso que ele teria escrito Love of My Life para ela. Já na década de 80, Freddie começou a frenqüentar diversas saunas gays (cultura bastante presente nos EUA e nas grandes metrópoles, nada muito conhecido aqui por nossas bandas santa-marienses!) e mantinha curtos relacionamentos com parceiros eventuais.

Em 1985, começou um relacionamento longo com o cabeleireiro Jim Hutton, o qual esteve ao lado do cantor até sua morte, seis anos depois. Freddie foi diagnosticado como HIV positivo na primavera de 1987, mas isso só foi comunicado oficialmente à imprensa um dia antes de sua morte. É, inclusive, uma das controvérsias que cercam a vida do cantor: o porquê da revelação tão tardia, já que se percebia que algo não estava indo bem há bastante tempo.

Mercury e Hutton – Reprodução

Freddie Mercury fez um comunicado oficial à imprensa, através do seu empresário Jim Beach, em 23 de novembro de 1991. A nota divulgada foi a seguinte (livre tradução minha*):

Seguindo as enormes conjecturas na imprensa durante as últimas duas semanas, eu quero confirmar que fui diagnosticado como HIV positivo e possuo AIDS. Senti que era correto manter essa informação em privado até o momento para proteger a privacidade dos que estão ao meu redor. Contudo, a hora de meus amigos e fãs ao redor do mundo saberem a verdade chegou e tenho esperança de que todos se unirão com os meus médicos e também todos aqueles ao redor do mundo na luta contra essa terrível doença. Minha privacidade sempre foi muito especial para mim e sou conhecido por minhas poucas entrevistas. Por favor, entendam que essa prática irá continuar.

Mal se passaram 24 horas e o vocalista do Queen veio a falecer de pneumonia bronquial (em decorrência da AIDS) no dia 24 de novembro de 1991, aos 45 anos de idade.

Freddie arrebatou multidões e vendeu milhões de discos e CDs. Estimativas indicam que o Queen já vendeu mais de 300 milhões de álbuns no mundo inteiro. As músicas We Arte the Champions e Bohemian Rhapsody foram votadas como as melhores músicas de todos os tempos pela maioria das pesquisas da Sony Ericsson e Guinness World Records, respectivamente.

Emblemático do sucesso do Queen e do poder de atração que Mercury exercia sobre os fãs é o histórico show da banda no Live Aid de 1985, no famoso estádio de Wembley, em Londres. A multidão de mais de 70 mil pessoas cantava, aplaudia e se emocionava com as cancões da banda. Segundo uma votação realizada por um grupo de executivos da área musical, a performance do Queen no evento foi escolhida a melhor performance ao vivo da história do rock.

Queen no Live Aid (Londres) em 1985 – Reprodução

Mercury declarou-se gay em algumas oportunidades, em outras diz-se bissexual. Sua demora em relevar a soropositividade encomodou por bastante tempo alguns ativistas do movimento GLBT internacional, mas ele figura em diversas listas como personalidade gay influente.

No ano de 1992, um tributo foi feito a Freddie Mercury no mesmo estádio em que ocorrerá o Live Aid sete anos antes. Esse tributo foi um dos mais marcantes do mundo: em seis horas todos os ingressos foram vendidos, sem que se soubesse quem cantaria na homenagem. Mais de 1 bilhão de pessoas assistiram às transmissões do tributo pelas emissoras do mundo todo, e o show contou com as interpretações de Guns N’ Roses, Robert Plant, David Bowie, Seal, George Michael, Elthon John, Axl Rose e Liza Minelli.

Homossexual ou não, com suas neuras bem resolvidas ou não, Freddie Mercury foi um grande cantor do rock mundial. Foi também uma grande perda para seus fãs e para o seleto grupo de artistas mundialmente reconhecidos. Restam-nos seus memoráveis shows e, principalmente, sua aguda-grave-expressiva voz.

Confira abaixo a 1ª e a 2ª parte da apresentação do Queen no Live Aid em 1985. Nesses dois vídeos, aparecem as canções Bohemian Rhapsody, Radio Ga Ga, We Will Rock You (apenas um pedaço) e We Are The Champions. As outras partes estão com os links mais abaixo.

Parte 01:



Parte 03:



Parte 02, Parte 04 e Parte 05 do show no Live Aid em 1985.

E acho que não poderia faltar esse resgate: Love of My Life, uma música de estilo “lenta” e romântica, interpretada em 1981 aqui no Brasil, no estádio do Morumbi (São Paulo).

Por hoje é isso.
Abraços!

* Original (Bret, David (1996), Living On the Edge: The Freddie Mercury Story, London: Robson Books, ISBN 1861052561): Following the enormous conjecture in the press over the last two weeks, I wish to confirm that I have been tested HIV positive and have AIDS. I felt it correct to keep this information private to date to protect the privacy of those around me. However, the time has come now for my friends and fans around the world to know the truth and I hope that everyone will join with my doctors and all those worldwide in the fight against this terrible disease. My privacy has always been very special to me and I am famous for my lack of interviews. Please understand this policy will continue.
Anúncios

Sobre Luiz Henrique

Ativista, professor e pesquisador. Interessado em direitos humanos, política, mídia e movimento LGBT. Tenho mestrado em Comunicação e Cultura pela UFRJ.

Publicado em 26 de novembro de 2008, em Sem categoria e marcado como . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. esse freddie e demais

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: