Imagens sexuais – é arte!


Hoje volto à arte e deixo para mais adiante outras abordagens políticas (mesmo que com meu tom particular, como no caso da doação de sangue!). Contudo, antes de ir à arte, gostaria de fazer dois breves comentários.

(1) – Hoje uma colega convidou-me para doar sangue. Disse que ‘não podia’ (com ou sem aspas: fica a seu critério leitor!) e, questionado o motivo, sugeri que passasse pelo meu blog (propaganda, a alma… vocês sabem!) e lesse minha postagem sobre doação de sangue. Acabei comentando com outros colegas acerca do tema e sempre indicava o blog. Antes que uma explicação curta e pouco contextualizada (não dôo porque sou gay!) fosse fornecida, era preferível que o texto todo fosse lido, em seu devido contexto, para que os motivos expostos fossem mais bem entendidos. Nesse sentido, agradeço à querida Sarah (conhecida na blogofauna mundial por Orni) pelo comentário no post.

Sarah ou Orni

(2) – Observando o andamento da enquete (está aqui ao lado no blog: você gostaria de ter um filho gay?) pude sentir que só tenhos amigos (e visitantes do blog) muito mara! ou, na hipótese mais humanamente plausível, ‘convenientes’. Impossível que ninguém não queira ter um filho gay, ora. É a coisa mais “desejável” do ponto de vista de uma sociedade heternormativa. De qualquer modo, faltam dois dias para a enquete terminar, então, em breve, retomarei o tema sob um viés bem mais particular e, digamos, teórico. Se não votou, vote ali (seja sincero, voto não carece de RG ou retrato facial!) e colabore para que esse blog tenha acerca do que tratar (ha!).

Feitos os comentários, vamos ao tema de hoje: arte bem humorada e apelativa. Percebam que não estou usando a palavra apelativa em sentido depreciativo, mas apenas numa acepção pura: o apelo que as pinturas despertam. O artista escolhido é o norte-americano Joe Phillips. Suas pinturas são muito bem definidas, além de, nas palavras dele mesmo, terem um objetivo claro: retratar cenas positivas acerca dos gays.

Bem-vindo a minha galeira Joe Boy.

Um amigo meu cunhou o termo Joe Boys há alguns anos atrás depois de observar algumas de minhas imagens. Minha arte sempre representou como me sinto. Eu desenho a partir da idéia de que todos nós gostaríamos de estar em um lugar bonito, com nossos amigos e pessoas amadas. Quando eu era mais jovem, sempre quis ver mais imagens positivas dos gays e suas vidas. Quando não encontrava representações suficientes disso, eu começava a criar as imagens por mim mesmo. Espero que você goste delas. – Joe.

A mensagem acima* foi escrita pelo artista e consta em seu site. Assim podemos percerber claramente seu engajamento com a representação positiva da homossexualidade e da vida dos homossexuais. Esse é um aspecto muito importante de se analisar, então o farei futuramente.

Como Phillips possui muitas imagens, hoje resolvi direcionar a postagem para aquelas que trabalham com o bom humor e com o apelo (na maioria das vezes, estético e sexual). Ou seja, de deixar de lado certos pruridos com o uso de imagens mais homoeróticas com cunho sexual mais ou menos explícito. Vê quem quer, já diz a sabedoria popular (é né?!).

A imagem abaixo é de 2008 e não carece de mais explicações. Nada muito explícito, mas a cena é engraçada.

Já a seguinte (de 2007) brinca com um símbolo muito forte do imaginário sexual não só de gays, mas acredito que de todos os humanos: o uniforme e os militares. Pornografia especializada nessa temática não falta, principalmente fora do Brasil, em que temos estúdios famosos como Falcon Studios (EUA) e a produtura Bel Ami (Rep. Tcheca). No caso dos EUA (Phillips é de lá), a imagética que circunda a figura militar é muito forte e prolífera. Um exemplo interessante, no campo político, é a diretriz adotada pelo país para com os homossexuais dentro das Forças Armadas: a famosa política do Don’t Ask, Don’t Tell. É uma espécie de aceitação acompanhada de silêncio – não pergunte, não fale, não comente.
A imagem abaixo, de 2007 também, traz novamente alguns elementos fortes dentro da pornografia e, arrisco sem compromisso, do imaginário erótico homossexual: o uniforme e o fetiche. É uma pintura bastante harmônica, com algum apelo erótico, mas pouco sexual.
Já esta outra (de 2005) é bem mais direta, apesar de não mostrar sexo explícito, nem mesmo o famoso (?!) pênis. Observação importante que faço: Joe Phillips tem uma construção muito plural e heterogênea das suas personagens. Há casais de loiros de pele clara, de morenos, de negros, de brancos com negros, de lisos com ‘peludos’ (outro assunto interessante da comunidade GLBT como um todo são certas terminologias, como a dos ursos – bears -, que são os homens peludos; assunto para outro dia). Joe é um artista negro (foto dele aqui) e a construção e presença da negritude nas suas representações é muito clara e profícua.
Esta é bem light, mas engraçada, e foi produzida em 2005 também. Observem a reação do casal no caminhão. Também pudera, um patrulheiro trancando a estrada! Hahaha: evidentemente que esse não é o motivo. Dica (para quem?) maliciosa: observem a região da cintura do policial. Certo volume por ali não? Bem, ninguém viu nada…
Essa imagem abaixo traz dois novos elementos interessantes: primeiro, a representação do negro. Como já mencionei acima, Joe a faz com muita competência (sem ser panfletário!). Outro elemento que é forte no imaginário sexual dos humanos e, creio, dos homens – sejam eles heterossexuais ou homossexuais – é o da presença coletiva de homens em vestiários e congêneres. Isso, inclusive, rende uma boa discussão acerca dos atletas homossexuais que existem mundo afora – incluso o futebol. Noutra oportunidade abordo tal questão. Sobre a pintura, que é de 2004, só critico a cueca horrorosa, que é muito característica dos ensaios masculinos (sejam eles pornográficos ou não) dos EUA.
A pintura abaixo é do grupo das bem humoradas. Cena incomum é futuro marido fugindo da esposa. O que mais há – infelizmente, é difícil ter pesquisa sobre isso, não é mesmo? – são homens gays casados com mulheres. Todo modo, assunto também para outro dia. Hoje ficamos com os rapazes fugindo na pintura de 2002 de Phillips e deixando a noiva enlouquecida.
Para encerrar, mais uma de humor. Ela é eminentemente engraçada, mas a sacada parte de algo bastante sexual. Creio que todos conseguirão perceber, mas procederei com a tradução de sempre. O texto completará o sentido quase que explícito da pintura de Joe (esta faz parte de um de seus livros, chamado Boy Will be Boys).
No cartaz de propaganda de cachorro quente pode-se ler: “Big Weenie, a segunda melhor coisa que você pode colocar na sua boca.
Bom, centenas de outras imagens de Phillips podem ser conferidas em seu site. Lá você encontra outras temáticas que o artista trabalha, como cenas românticas, do cotidiano, cenas engraçadas, entre amigos, entre casais, seres mitológicos, seres ‘profano-sexuais’. Além disso, outras imagens mais explícitas do que as que usei aqui. Por conhecer a política do Google e do Blogger, o risco de expor qualquer órgão sexual (mesmo que seja em uma pintura e num nú artístico) poderia render problemas.
Mas seria adorável que essa postagem despertasse algum espírito dotado da moral universal e que viesse a me repetir uma sentença que ouço desde os 14 anos: “essas imagens reforçam a visão promíscua (que que é isso?) dos gays na sociedade”. Esse é um assunto que considero muito interessante de abordar, então fica a dica: libere seu moralismo totalitário para que eu possa discordar (haha).

No mais, é isso.
Bons sonhos (para os que gostaram, sonhem com os rapazes do Joe!).
Abraços.

* Original:
Welcome to my Joe Boy gallery.
A friend of mined coined the term Joe Boys a few years ago after looking at some of my images. My art has always represented how I feel. I draw from the idea that we all would all like to be in a beautiful place, with our friends and loved ones. When I was younger, I always wanted to see more positive images of gay life. When I didn’t find enough of them, I began creating the images myself. I hope you enjoy them. – Joe
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Sobre Luiz Henrique

Ativista, professor e pesquisador. Interessado em direitos humanos, política, mídia e movimento LGBT. Tenho mestrado em Comunicação e Cultura pela UFRJ.

Publicado em 27 de novembro de 2008, em Sem categoria e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Marcelo De Franceschi

    Móóóó! chocou a opinião pública.Sugiro diminuir a imagem de cabeçalho do blog, pra nao dar o trabalho do leitor ter que rolar o scrol do mouse pra ler o primeiro post.Feito!

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