Sem esperança a vida não vale a pena.


Hello pessoal. Tirei férias e não avisei ninguém (rsrs). Bem, mais de dois meses sem postar, muita coisa aconteceu naturalmente. Muitos fatos que mereceriam espaço aqui. Mas vamos dando conta disso aos poucos, pois o ano está oficialmente começando (passou o Carnaval, não é mesmo?).
Hoje vou ser breve e (tentar) comentar sobre a vitória de Milk no Oscar 2009. Não foi uma vitória completa, mas foi uma vitória expressiva. O ator Sean Penn (foto 1) ganhou o Oscar de Melhor Ator pela interpretação que fez do biografado nesta obra: Harvey Milk. Mais abaixo falo dele. Já Dustin Lance Black (foto 2) ganhou o Oscar por Melhor Roteiro Original de Milk.

(Reprodução) Foto 1
(Reprodução) Foto 2

Não fossem esses dois prêmios indicativos da qualidade do filme, ambos os premiados fizeram discursos interessantes. O primeiro mais incisivo. O segundo muito emocionante. Tanto Penn quando Lance Black falam do que Harvey Milk falou e fez durante sua curta vida. Infelizmente, pouco posso falar da obra, já que ainda não a vi. Evidentemente, já a estou baixando, pois depender de cinema no interior do Brasil é padecer.

(Reprodução) Cartaz de Milk


Harvey Milk
foi um político norte-americano. Nasceu em 1930 e foi assassinado em 1978. Sua proeza, e o que explica o longa Milk (no Brasil, a tradução oficial é Milk – A voz da igualdade, mas não me agrada esse didatismo de certas traduções brasileiras), foi ter sido o primeiro político assumidamente homossexual a ser eleito para um cargo público na Califórnia (em São Francisco mais especificamente). Isso tudo em fins da década de setenta.

Milk ficou pouco tempo no cargo. Foi assassinado juntamente com o prefeito, George Moscone, por outro “supervisor” da cidade de São Francisco (o cargo equivale ao de vereador em nosso Poder Legislativo). Desde então, tornou-se um íncone político dentro da comunidade GLBT estadunidense.

(Reprodução) Harvey Milk na década de 70

A direção de Milk é do conhecido Gus Van Sant. O protagonista Sean Penn possui semelhança incrível com o Harvey Milk da história e, tudo leva a crer, sua interpretação foi primorosa. Os discursos dos vencedores são muito interessantes. O de Sean Penn é engraçadinho e com vários assuntos. A parte que me interessa é pequena e vai de 2’30” a 3’00”. Mas o vídeo é curto e vale vê-lo por inteiro.

Já o roteirista do filme fez um dos discursos mais emocionantes que já vi. Dustin Lance Black recebeu o Oscar pelo Melhor Roteiro Original. Muito emocionado, falou sobre sua vivência como homossexual e da importância de Milk para ele. Infelizmente, quem colocou o vídeo no YouTube desativou a incorporação. Por isso, o link vai abaixo e é preciso vê-lo no site mesmo:

A estrela, não obstante, é a mensagem ativista de Harvey Milk. Ano passado, alguns estados norte-americanos votaram proposições que proibiriam, pelo texto da lei, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Venceu na Califórnia, por exemplo. Uma evidente vitória da burrice humana, da anti-pluralidade e da negativa ao simples direito à vida plena. Na época, um grupo fez uma montagem com um trecho de um discurso de Harvey Milk em 1978 (já eleito supervisor de São Francisco). A mensagem é tocante por si só e fiz uma livre tradução abaixo*.

“Em algum lugar em Des Moines ou Santo Antonio há uma jovem pessoa homossexual que, de repente, percebeu que ele ou ela é gay; sabem que se seus pais souberem, eles serão colocados para fora de casa, seus colegas vão humilhá-los, e Anita Bryant e John Briggs [opõe-se à homossexualidade] estão fazendo sua parte na TV. E aquela criança tem várias possibilidades: ficar no armário [não se assumir], e se suicidar. E então, um dia, aquela criança pode abrir o jornal que diz “Homossexual eleito em São Francisco” e surgem duas novas opções: a opção é ir para a Califórnia ou ficar em Santo Antonio e lutar. Dois dias depois que fui eleito, recebi um telefonema. E a voz era de alguém muito jovem. Era de Altoona (Pennsylvania). E aquela pessoa disse “Obrigado”. E você precisa eleger homossexuais, assim milhares e mais milhares de crianças como esta saberão que existe esperança de um mundo melhor; que há esperança por um amanhã melhor. Sem esperança, não só gays, mas os negros, os asiáticos, os deficientes, os idosos, os Estados Unidos: sem esperança os Estados Unidos perderá. Eu sei que você não pode viver de esperança sozinho, mas sem ela, a vida não vale a pena. E você… e você, e você e você precisam dar esperanças a esses jovens”.

Termino este post com essa mensagem de esperança lançada há mais de 30 anos por Harvey Milk. Sentimento parecido vive a nação norte-americana com o novo presidente, eleito sob a força do “Sim, nós podemos”. É a esperança de Milk.

Até a próxima pessoal.
Abraços e beijos a todos.

* Original: “Somewhere in Des Moines or San Antonio there is a young gay person who all the sudden realizes that he or she is gay; knows that if their parents find out they will be tossed out of the house, their classmates will taunt the child, and the Anita Bryant’s and John Briggs’ are doing their part on TV. And that child has several options: staying in the closet, and suicide. And then one day that child might open the paper that says “Homosexual elected in San Francisco” and there are two new options: the option is to go to California, or stay in San Antonio and fight. Two days after I was elected I got a phone call and the voice was quite young. It was from Altoona, Pennsylvania. And the person said “Thanks”. And you’ve got to elect gay people, so that thousand upon thousands like that child know that there is hope for a better world; there is hope for a better tomorrow. Without hope, not only gays, but those who are blacks, the Asians, the disabled, the seniors, the us’s: without hope the us’s give up. I know that you can’t live on hope alone, but without it, life is not worth living. And you, and you, and you, and you have got to give them hope.”

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Sobre Luiz Henrique

Ativista, professor e pesquisador. Interessado em direitos humanos, política, mídia e movimento LGBT. Tenho mestrado em Comunicação e Cultura pela UFRJ.

Publicado em 1 de março de 2009, em Sem categoria. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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