Arquivo mensal: novembro 2009

Café da manhã com Scot


Mais de um mês sem postar. Sem tempo, mas deixemos isso de lado. Resolvi postar para comentar sobre um filme que vi recentemente e que me parece muito interessante para pensar algumas questões ligadas a gênero e sexualidade.

Breakfast with Scot é um filme canadense de 2007. A história pode ser vista tanto como um drama quanto como uma comédia. Particularmente, vejo pitadas dos dois gêneros, mas é mais aquele do que este, principalmente quando se aproxima do final e a história nos passa sua “lição”.

O protagonista é o jovem Scot (Noah Bernett), de apenas onze anos. Sem muitos rodeios, é uma criança notadamente afeminada. Ou, como precaução reflexiva, uma criança que transita por escolhas do cotidiano que o associariam ao gênero feminino. Gosta de maquiagem, é delicado, emotivo, gosta de roupas e adereços coloridos e extravagantes. Este é um ponto central.

Cartaz de divulgação

O que faz a combinação interessante do filme é a presença dos outros dois protagonistas, Eric (Tom Cavanagh) e Sam (Ben Shenkman). São um casal gay “típico” da classe média alta norte-americana (por típico estou me referindo a um imaginário do que sejam casais gays ricos nos Estados Unidos, embora tenha poucas informações empíricas sobre isso). Eric é um ex-jogador de hóquei no gelo que virou comentarista esportivo; Sam é advogado. Os dois vivem a sexualidade de modo relativamente tranquilo, embora a chegada de Scot seja o sinal para repensarmos e discutirmos dois grandes pontos: construção de gênero e vivência pública da sexualidade.

Scot é filho do irmão de Sam. Com a morte da esposa de Billy (irmão de Sam), a guarda de Scot fica com Billy, que é um típico bon vivant que está, vejam só, passeando pelo Brasil. Até a volta dele, Scot ficará algum tempo com o tio Sam, mesmo com a contrariedade de Eric. Tomar café da manhã com Scot passa a ser um exercício diário para o casal não tão bem resolvido quanto à sexualidade  – de ambos.

Scot acaba por criar uma série de situações que desafiam as noções de masculinidade, virilidade e gênero masculino presentes, principalmente, na personagem de Eric. Este passa mais tempo com o menino e presencia suas dificuldades de relação no colégio, com amigos e em locais públicos. Sua afeminação ou, o que me parece mais a mensagem do filme, sua capacidade de transitar entre as associações clássicas “objetos – gênero” faz com que Eric repense suas atitudes e práticas quanto à própria homossexualidade.

Esses questionamentos acabam por refletir na profissão de Eric e, finalmente, na relação com seu marido Sam. Um filme que, do título ao visual, parece bobinho e muito “comédia americana”, revelou-se capaz de produzir reflexões bastante profundas sobre gênero e sobre como lidamos com nossa sexualidade socialmente. Recomendo extremamente assisti-lo.

Quem quiser baixar o filme, aqui está o link (formato .avi). Ou então procure por torrent. Como estou numa fase fílmica, futuramente posto outros comentários sobre filmes que tenho visto. Abraços. =)

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