Arquivo mensal: agosto 2011

Cidades gays ou a homossexualidade urbana


Também publicado em Bule Voador.

Empire State Building: signo da metrópole Nova Iorque sob as cores da bandeira gay. Foto: reprodução.

Neste artigo, faço uma reflexão acerca da relação que os homossexuais – enquanto indivíduos e como grupo social – estabeleceram com as grandes cidades como forma de própria constituição de suas homossexualidades. Num mesmo sentido, como forma de vivência deste desejo e, na acepção moderna, desta identidade. Penso que o ambiente urbano, como espaço de confluência de múltiplos contextos vivenciais pessoais, propicia uma interação (forçosa em alguns casos) e uma convivência com as diversidades advindas desses múltiplos contextos individuais. Assim, a cidade torna-se, progressivamente – notadamente desde meados do século XIX –, o lócus ideal para que um desejo sexual vigado e reprimido possa passar mais despercebido.

Diante do que proponho, é necessário tecer algumas considerações mais específicas acerca das variáveis que colocamos em cena. De um lado, o homossexual (e sua homossexualidade); de outro, a cidade como expressão do urbano e do moderno – portanto, em oposição ao campo e ao rural; e também num sentido específico diverso daquele das cidades da Antiguidade grega, por exemplo. Essas duas variáveis vão revelar uma relação que ouso chamar de intrínseca, respeitando, evidentemente, o tempo histórico: talvez nos últimos dez anos, em alguns contextos, a relação de “dependência” entre a homossexualidade e a cidade tenha se enfraquecido; muito provavelmente diversas cidades de médio e pequeno porte tornaram-se ambientes possíveis para uma vivência “saudável” e “assumida” do desejo homossexual de forma pública. Assim, o que se está enfocando aqui é uma relação historicamente constituída, ainda pertinente na maioria dos contextos sociogeográficos, e que sintetiza uma gama de questões muito ampla na ideia de que a cidade foi e é um lugar de fuga para os gays. Nas palavras do filósofo Didier Eribon “a cidade sempre foi o refúgio dos homossexuais”. [1] Importante é o fato de que foi justamente a combinação entre ambiente urbano e homossexualidade (dentro de movimentos sociais especialmente) que propiciou mudanças culturais mais profundas que impactaram, por extensão, na própria visão da homossexualidade em contextos não urbanos e não metropolitanos. Leia o resto deste post

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