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A família, o PSC e a sexualidade


Também publicado em Bule Voador.

Por volta de maio de 1991, estourou na Grã-Bretanha uma polêmica sobre mulheres que buscavam tratamentos de fertilidade alegando que desejavam contornar as relações sexuais. Eram mulheres que, para falar sem meios termos, queriam bebês, mas não sexo. Não foi só a imprensa sensacionalista que comparou o resultado pretendido ao Nascimento Virgem. Uma das clínicas de fertilidade, que sentiu que sua politica liberal atraíra um numero particularmente grande desses pedidos se perguntava se não estaria diante de uma Síndrome do Nascimento Virgem. (Marilyn Strathern. In: Necessidade de pais, necessidade de mãesEstudos Feministas, v. 3, n. 2, 1995.)

Family Guy e a paródia da família perfeita. Foto: reprodução

O trecho acima abre o artigo da antropóloga britânica Marilyn Strathern que discute a parentalidade em conexão com o peso do gênero (homem e mulher / pai e mãe) na conformação do parentesco. Aproveito-me do extremo – o exemplo das mães virgens britânicas – para jogar luz sobre o centro: aquelas jovens mulheres e seus filhos “produzidos” sem intercurso sexual são família? Muito provavelmente certa retórica política recém resgatada pelo Partido Social Cristão (PSC) diria que não. Acrescento que este me parece um daqueles debates que já nasce solapado pela realidade. Todo caso, é interessante explorar um pouco desta discussão. Leia o resto deste post

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