Animais gays na escola

FonteIBTimes Los Angeles

Tradução e IntroduçãoLuiz Henrique Coletto

Também publicado no Bule Voador.

Peixe-palhaço (gay). Foto: reprodução.

A notícia abaixo relata a experiência de abordar diversidade sexual (no caso, a partir da variação de gênero) com crianças em fase escolar utilizando exemplos da natureza. O programa sobre diversidade de gênero, realizado numa escola primária da cidade de Oakland (CA), já despertou a ira de alguns grupos, entretanto. O tema, de qualquer modo, parece atual (e “polêmico”) porque disputa um espaço privilegiado – e sagrado sob certa perspectiva – que é a escola, e a própria educação como uma instituição social. Aqui no Brasil também se está travando este debate, embora por aqui ele pareça-me muito mais simples e tímido até.

Escola da Califórnia utiliza lagartixas e peixes-palhaços lésbicos para ensinar sobre diversidade de gênero

Numa sociedade em que 70% dos entrevistados entre 18-34 anos aceitam o casamento gay, de acordo com resultados do Instituto Gallup, deveria surpreender que uma escola primária tenha decidido educar as crianças sobre diversidade de gênero?

No começo desta semana, alunos das 4ª e 5ª séries da Redwood Heights Elementary (Oakland, Califórnia) tiveram lições sobre diferenças de gênero como parte de um esforço maior para reprimir o bullying na escola. O Estado da Califórnia exige que as escolas implementem planos para abordar a segurança dos alunos diante de conflitos que surjam em relação às questões de gênero.

A diretora de Redwood, Sara Stone, afirma que o ensino sobre gênero faz parte da busca pela redução de riscos aos estudantes e também pela promoção da diversidade.

Os pais foram avisados previamente sobre as aulas, e poucos deles deixaram as crianças em casa para que não participassem do programa sobre gênero.

O programa de ensino inclui lagartixas lésbicas, um peixe-palhaço transgênero, e uma cobra macho que é “afeminada” para ensinar diversidade de gênero de acordo com o jornal San Francisco Chronicle.

“Há muita diversidade na natureza. A evolução produz muitas formas divertidas para a reprodução dos animais”, afirma Joel Baum do Gender Spectrum.

Gender Spectrum é uma organização que oferece ensino, treinamento e apoio para ajudar a criar um ambiente sensível e inclusivo à diversidade de gênero para todas as crianças e adolescentes utilizando-se de uma abordagem simples e direta.

O site do grupo informa: “nós apresentamos uma visão global sobre como a sociedade, atualmente, define gênero e como tais definições restritas podem ser danosas àqueles que não se encaixam claramente nestas categorias. Nós ajudamos você, então, a identificar e remover estes obstáculos para que assim todos estejam livres para serem o que são de modo autêntico”.

À medida que o programa de diversidade sexual da Escola Redwood se espalhava, grupos conservadores começaram a reagir com indignação acerca do próprio conteúdo das lições, que ensinariam que “a natureza tem mais do que duas opções” quando se trata da sexualidade.

O Pacific Justice Institute, uma organização conservadora, afirmou que ensinar às crianças que haveria mais do que dois gêneros “não representa os valores da maioria das famílias de Oakland”.

O treinamento sobre o tema oferecido à Redwood Heights custou 1.500 dólares e foi financiado por uma doação da Associação de Professores da Califórnia.

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