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Transfobia: as pedras na Geni


Brenda Lee, travesti brasileira que dedicou sua vida a ajudar travestis e gays soropositivos. Foi assassinada em 1996. Foto (editada): A Capa.

Publiquei um texto aqui no blog comentando algumas notícias que saíram sobre a morte da Lacraia. Sugeri, então, a um dos editores do Bule Voador que o publicasse por lá porque poderia gerar boas discussões. A primeira razão por tê-lo sugerido é que, como acompanho o BV há bastante tempo, sabia que este tema tinha sido abordado por lá poucas vezes – consequência, aliás, da própria prevalência de abordagens sobre a homofobia (e centrada nos gays masculinos) em detrimento da transfobia em vários locais e contextos – e que, portanto, seria um bom agregador; outra razão era, justamente, para “popularizar” a temática, pois, salvo acadêmicos e militantes, mesmo a maioria das pessoas que apoia a comunidade LGBT entende muito pouco da temática da identidade de gênero. Compreensível até certo ponto, dada a complexidade que o assunto põe a nossa matriz corrente de entender sexualidade a partir do paradigma homem e mulher – e só.

Bem, como supunha, o artigo gerou debate. Produziu alguns comentários transfóbicos também. Na maioria das vezes, apenas algum desconhecimento. Também trouxe, é claro, ótimas contribuições de outros foristas. Na seção de comentários, expliquei algumas questões e voltei a reforçar a importância de se respeitar a identidade de gênero, inclusive e principalmente, dentro do sistema da língua. Lá fiz menção a um artigo opinativo que publiquei em meados de 2010, junto com uma colega da faculdade, na revista laboratorial de nosso curso de Jornalismo. Penso que ele seja oportuno àqueles que têm interesse em compreender melhor o assunto. Assim, reproduzo-o abaixo.

Transfobia: as pedras na Geni

Laura Gheller e Luiz Henrique Coletto

Eu sou o avesso do que o senhor sonhou para o seu filho. Eu sou a sua filha amada pelo avesso. A minha embalagem é de pedra, mas meu avesso é de gesso. Toda vez que a pedra bate no gesso, me corta toda por dentro. Eu mesma me corto por dentro, só eu posso, só eu faço. Na carne externa, quem me corta é o mesmo que admira esse meu avesso pelo lado de fora. Eu sou a subversão sublime de mim mesma. Sou o que derrama, o que transborda da mulher. Só que essa mulher sou eu, sou o que excede dela. Leia o resto deste post

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